Quando a conheci, numa sala pequena que dava para o jardim da AAC, vinha como provavelmente a vimos, vemos e veremos sempre: com uma resma de gente amiga atrás. Eu tinha, e isto também me parece razoavelmente consistente, um par de sapatos estranho, colorido e de salto alto.
Ela e os outros disseram coisas simples mas bem ditas (less is more) e eu, e isto também me parece tão plausível e consistente comigo, terei dito muitas vezes «ai tão fofo» com um sotaque que só tive nessa altura e que partilhava com mais duas, que hoje também já falam à séria, mas ainda falarão sem dificuldade em bombeirético.
Acho que nunca chorei ao pé dela, mas a Carla esteve lá em tantos momentos da minha vida.
Esteve lá naquelas férias na ilha da Armona, quando eu ainda não comia marisco (e não, ainda não bebo Super Bock não-sei-quê), quando conduzi o Pedrito Olhão e molhei as pessoas todas, quando andámos nos baloiços do parque infantil e trocámos os candeeiros solares do quintal de um senhor. Fez comigo e com a Elsa aquela viagem de muitas horas atrás de camiões com tomates, que os iam deixando cair debaixo do sol abrasador e fomos na Gaja Boa, que é da cor dos tomates (literalmente).
Esteve lá em Barcelona, quando apanhámos sol na praia ou quando subimos à Sagrada Família, e assou o peixe que comemos ao jantar e tirou muitas fotografias e entendeu que eu preferisse morrer a tirar os sapatos para descer na manga de plástico se o avião caísse.
Esteve lá no dia das boas-ideias-simples e pintou pessoas grandes e pequenas com digitinta com muito nível e almoçou nas Amarelas comigo e com outras pessoas, organizou a sua equipa e eles cuidaram dos cachopos. Nesse dia, eu estava ansiosa, mas correu tudo bem.
Passou comigo um fim-de-semana em Lisboa quando a minha casa era manhosa, manda-me coisas de gatos (aliás, gosta de gatos!) ou de decoração, sabe fazer quase todo o bricolage do mundo (sou como a mãe dela: acho que, a ser preciso, a Carla saberia ladrilhar paredes com azulejo), tem ideias giras e dá-me sempre presentes que me fazem chorar porque são só-para-mim. Já lhe dei um cacto. Já me plotou um cartaz que dizia nandinho-bláblá, no tempo em que eu nem sabia o que era uma plotter.Já me descansou muitas vezes quando eu estava imersa em dramas pequenos, chama-me nêspera e manda-me beijos no caroço na maioria dos casos. Ao pé dela, sinto-me não uma nêspera, mas um nabo na cozinha ou no desenho e ainda assim, gosto sempre dela e tenho sempre saudades, mesmo quando não me atende o telefone.
Não saberia nunca definir a Carla em poucas palavras. Podia dizer coisas parvas (é tão porreira), coisas lamechas (será provavelmente das pessoas mais generosas que conheço e, possivelmente, a pessoa em cujo bom coração acredito mais), coisas evidentes (poucas pessoas fazem os outros sentirem-se tão especiais, poucas pessoas têm tantos e tão bons amigos ou desenham tão boas bandas desenhadas, pelo menos as que eu conheço). Mas no fundo, e por muito que as palavras nunca possam ser poucas, podem ser simples, como as boas ideias, ou até como a minha Flecha: eu gosto dela e tenho saudades. Less is more.
terça-feira, junho 22, 2010
Flecha
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Luz
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3:48 p.m.
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quinta-feira, novembro 01, 2007
Parabéns, Margarida

Quando conheci a Margarida, ela trazia um fio como se usava na altura, que condizia com uns brincos impecáveis. Não sabíamos bem se queríamos a Margarida como caloira, porque, bolas, as caloiras dão trabalho. Nessa altura, a Margarida tinha um telemóvel cor de laranja, cor a que chamávamos império,acho que devíamos ser parvas, psicologia é um império, um império. Foi uma boa escolha termos ficado com a Margarida, mas não por causa do telemóvel.
Cozinhei à Margarida pipocas, sopas e caldeiradas de lulas, embora ela não soubesse varrer, comprar dois tomates maduros e não quisesse usar cornos ou trincar nabos. Uma vez fomos ao estádio e a Margarida veio-se embora a meio do jogo para não sujar a saia na relva, porque estávamos sentados no chão.
Com o tempo, a Margarida foi-se-me revelando o que é: uma caloira sempre disposta a ajudar os seus amigos, sempre de sorriso nos lábios. Uma rapariga impecável. Impecável no cabelo, e não sei o que usa ela, ou melhor, sei, é shampoo anti-oleosidade da farmácia, mas não sei como lhe fica sempre tão impecável o cabelo. Impecável na saia, no mocassin, na écharpe e nos brincos. Impecável nos bordados, nos trabalhos manuais, nas pinturas, nas agendas e livrinhos de receitas. Impecável a pintar manicures francesas nos pés de madrinhas ou a acompanhá-las a cabeleireiros. Impecável a encontrar as pechinchas da comida, como as bolachas mais deliciosas e baratas, 40 cêntimos este pacote, madrinha. Impecável na intenção de tornar os seus amigos «direitos que nem um fuso». Sobretudo, impecável a dar mimos, impecável de coração. E é mesmo por isso, e por nenhuma das perfeições anteriores, que eu gosto da Margarida: é impecável de coração.
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Luz
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9:55 p.m.
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quinta-feira, outubro 04, 2007
Sai! Sai desse corpo que não é teu!
Aqui vai uma mensagem de aniversário só para ti.
Que contes muitos, que mantenhas milhares de manias, como «só trabalhar de coroa», apesar de agora já trabalhares a sério.
Que sejas a ruiva mais sexy da farmácia, sempre na crista da onda dos produtos novos que mereçam ser experimentados. :P
Que nunca te esqueças do que quer dizer Bombeirette, nem do que poderíamos ter feito ao pequeno Jipe.
Que gostes sempre do Porto, de Coimbra, de ananás e de coisas fashion, como pintar as unhas mais bonitas que eu conheço ou comprar trapos.
Que saibas sempre falar no nosso estúpido sotaque, saibas o que é subsumida e que nunca te entedie a conversa do «Lembras-te quando?».
Que nunca valhas só 20 rabanadas. :P (Me-do)
Que mantenhas a mesma pele branca, mesmo quando apesar dos cremes ganhares rugas.
E que nessa altura, eu ainda te conheça, eu ainda te adore, e ocupes o mesmíssimo espaço que ocupas agora na minhas gaveta das coisas muito boas. Certamente vais ocupar o mesmo espaço. Porque algumas coisas nunca se esquecem e porque (cliché pavoroso), para outras tantas coisas, como a amizade, não há longe, nem distâncias.
Parabéns, como a dizer que estou contente por exisitires.
Ps: Não conto a ninguém que fizeste 25! Fica só entre nós, até porque eu tive de ir ver ao Hi5.
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Luz
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6:46 p.m.
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