sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Da Vida na Minha Escola Nova (III)

Com jeito, se no fim dos seis meses o contrato acabar e não for renovado, já aprendi a viver do rendimento mínimo.

Da Vida na Minha Escola Nova (II)

Percebo agora que estou atrasadíssima em relação ao comboio da maternidade: pode-se ter um filho a partir dos 14.

Da Vida na Minha Escola Nova (I)

Gostava de conhecer um adolescente do oitavo ano sem negativas.

Da Vida em Lisboa (II)

Também queria conhecer alguém que já tenha plantado couves nas barreiras da CREL. Ou favas. Ou que tenha construído uma daquelas estruturas de canas, que ainda não percebi para que servem.

Da Vida em Lisboa (I)

Eu gostava mesmo de conhecer um taxista gentil no trânsito.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Shiiu.
(o que eu queria mesmo era um autismo emprestado para hoje)

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Histórias pequenas

O menino do lábio roxo nasceu no dia de Nossa Senhora. A mãe, confiada em Santos, Demónios e demais criaturas, acha-o investido de uma graça divina, para sempre protegido dos males do mundo. O menino do lábio roxo vive num mundo metade verdade, metade fantasia, e é muito díficil perceber de que lado do mundo está quando fala. Hoje, diz-me que é muito díficil falar disto, enquanto me mostra como se empurra uma criança para cima de uma cadeira até ficar o lábio com sangue, como se dão quatro palmadas nas costas e três no rabo, porque se arrumou devagar os fios da playstation. O menino do lábio roxo nasceu no dia de Nossa Senhora, que não tem conseguido salvá-lo da própria mãe.
Vitória, vitória acabou-se a história. História contada, história acabada.

A menina pequenina que usa óculos vive com a avó, a quem parece acontecer tudo, e que não se importava de entregá-la a quem cuidasse bem dela. Também à menina que usa óculos tudo parece acontecer: a mãe que morre, o pai entre acidentes, doenças e consumos, a avó triste, as negligências por que já passou. A menina pequenina que usa óculos é tão pequenina que às vezes parece um pássaro, também pequenino, que vai desatar a voar devagarinho.
No caminho para a cidade, não me parece que conduza demasiado depressa, embora ache que nunca nos parece que vamos depressa, ou íamos devagar. Um pássaro passa-me em frente ao vidro. Bato-lhe e cai. Volto atrás, para socorrê-lo. O pássaro tem a barriga cor de laranja. Já morreu, a líndissima barriga exposta ao céu, inerte. Como para provar que alguns pássaros pequeninos não se podem salvar.