quinta-feira, março 23, 2006

Um dia destes...

... vou esculpir o teu corpo para mim, gravá-lo no gesso da minha memória e, na madeira ou metal do tempo, eternizá-lo por tudo o que de nós foi bonito.

(Gosto mesmo de ti, tinhosazita, e a vida é isto, o esforço de ver o que foi bom...)

quarta-feira, março 15, 2006

Talvez

Era talvez o barulho batido ritmado da música, a luz desmaiada e tão intensa ao mesmo tempo ou apenas o fumo e o calor dos corpos em encontrões a materializar-se no espaço; era talvez a possibilidade de avançar pela multidão e pôr fim à distância em pouco mais de cinco passos, que numa multidão são mais penosos de caminhar. Ou eram os olhos dela ou dele, uns presos nos do outro ou vice-versa, ou era tudo o que entre eles havia, houvera ou nunca houve.
Era talvez uma indecisão pendente, ou a certeza absoluta de que alguma coisa os unia para sempre, ou qualquer coisa de permanente num talvez.
Não sei quem atravessou, talvez se encontrassem a meio, talvez ela o beijasse ou ele a beijasse a ela e ambos se beijassem de volta, para depois dizerem, qual deles? nenhum dos dois?, «nunca mais te quero ver».
Até à próxima vez.

domingo, março 12, 2006

Y

Depois do faustoso jantar de celebração do Dia Internacional da Mulher, na fabulosa Quinta do Castro (eu até vos deixava o link, se percebesse alguma coisa de linguagens de blog, mas sou um calhauzito nisto), só me ocorre dizer (desculpe o plágio,sôdona Papoila!):
- obrigada, meu Deus, pela variabilidade genética e por teres inventado O Homem;
- que 600 mulheres em fúria são um espetáculo degradante;
- por favor, meu Deus, esquece as teorias evolucionistas do Steve Jones e não faças do Y um cromossoma em extinção.

Occore-me ainda perguntar quantas calorias terá um rissol de camarão, embora talvez não queira saber a resposta...

sexta-feira, março 10, 2006

Até me parece estranho...

... que o meu último post tenha dois comentários. Bom, um é meu.

quinta-feira, março 09, 2006

Ando, definitivamente...

... a escrever para o boneco! É que já nem os meus comentadores habituais. Sabem que mais?
a) escrever um blog serve como livro de memórias;
b) ajuda a pôr o mundo em ordem, numa espécie de ludoterapia para adultos;
c) se ninguém me lê e não, pelo menos escrevo o que quero!

Pelo que, considerando o disposto nos números anteriores, quem ainda estoicamente cá vier ler-me, «comerá» invariavelmente com posts lamechas, que se acabou o esforço da piadazinha. PONTO. ;)

Alfarrabista

Ia à procura de uma edição antiga, original, de um livro especialmente ligado a momentos afectivos. A loja é deles, dos livros, mas pareceu-me o homem por trás do balcão particularmente curioso e desperto, atento. Conversámos.

« -Bom, passo então na 2ª, de qualquer forma venho cá todos os dias à fisioterapia.»
« -Fisioterapia, tão nova?»
« -Sim, tive um acidente, parti o pescoço... Por isso é que tenho estas borbulhinhas...»
« -Ah, não fica feia e tem uma camisola bonita e um cachecol cor-de-rosa com que está sempre a brincar. E não leve a mal dizer-lhe isto, tenho idade para ser seu avô, até tenho uma neta de 27 anos.»
« -Por acaso lembra-me o meu avô... Morreu em Março.»
« -É a lei das coisas, os avós morrerem primeiro que os netos. Sabe, há algum tempo uma amiga confidenciou-me que o meu filho lhe disse "Não estou preparado para ver o meu pai morrer". Há lá forma de amor mais linda que não estar preparado para ver alguém morrer?»

Saí a chorar, claro. Sabes avô, às vezes (tantas) tenho saudades tuas...

terça-feira, março 07, 2006

Da série «Ele(a) disse mesmo isto e esperamos ardentemente que nunca decida ler este blog» (II)

No meio da rua, aos berros, ela grita:
«Não entendes, tu és a pessoa mais importante para mim. Porque és a única pessoa que acho normal dentro da nossa "desnormalidade", não somos normais os dois.»