Podes vir a qualquer hora. A meio da noite, embrulhada em sono e impaciência resmungante de quem só quer dormir; ao raiar da manhã banhada a luz; podes vir à tarde ou depois dela; podes vir quando quiseres.
Podes vir. Tenhas partido os braços, o pescoço, a alma, as pernas, o coração ou perdido as vísceras pelo caminho; tenhas chorado o dia inteiro ou a vida te pareça consoladora como o sol; tenhas em ti toda a raiva pela humanidade, só medo, ou a certeza de que todas as pessoas valem; podes vir como quiseres.
São as minhas mãos, os meus braços e a largura do meu tronco maior que o teu. A minha omoplata larga, osso, músculo, fibra, carne, fleuma. Tudo, sempre, inevitavelmente à tua espera, do teu riso ou da desilusão, de ti, na certeza absoluta de que sempre que sais regressas. As minhas mãos para ti, para o teu corpo, para a tua boca ou para o teu cabelo, os meus braços para te abraçar.
Eu, enfim, ou a certeza absoluta de que chegaste a casa.
Banda Sonora: «Fix You», Coldplay
Acrescento(s): Sim, eu também acho o post foleiro, mas cada um escreve o que pode. Alguém reparou como eu ando solidária com os desgraçados que partem o pescoço? ;)
terça-feira, novembro 15, 2005
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Luz
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7:06 p.m.
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segunda-feira, novembro 14, 2005
Aparentemente...
... nada como escrever Paulo Coelho para fazer o contador de visitas disparar. Paulo Coelho, Paulo Coelho, Paulo Coelho, ...
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Luz
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6:52 p.m.
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sexta-feira, novembro 11, 2005
Sinto-me...
... uma herege pelo post anterior. A este ritmo, ainda me torno num Paulo Coelho portugês, o que, como se sabe, ninguém merece.
Ainda por cima, por muito que o apague, tenho sempre um comentário acerca de como arranjar bicicletas. Deus castiga...
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Luz
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12:30 p.m.
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«If praying were enough it would've come to be »
Agora, que tudo acalmou; agora, quando todos os dias me consumo em raiva em frente ao espelho, a lavar devagar os dentes, a gritar muda a raiva de ter 24 anos, efectivos, contadinhos num calendário regular, e não poder lavar os dentes sem uma palhinha.
Agora, que já não ouço perguntar se ainda mexo braços e pernas ao ritmo de três vezes por hora; agora, quando já não permito a ninguém que me toque nos pés para saber se os sinto; agora, que não tenho medo de morrer (já).
Agora, que sei que o tempo passa mais ou menos rápido e que para mim, lavar os dentes em raiva espumosa é só mais um bocadinho; agora...
...Ponho-me a pensar em como será viver todos os dias com a mesma raiva e, sim, ponho-me a pensar em ti, depois do choque mudo do outro dia, ponho-me a pensar na tua mesma idade, no teu mesmo acidente, e na lotaria do destino que te fez ter de suportar a vida todos os dias sem força nas pernas e me poupou a mim, a mesma idade e o mesmo acidente; ponho-me a pensar se também repetiste, também enterrado em medo, «não vou ficar doente», enquanto o teu carro rodava não sabes bem por onde, se também pensaste «vai parar e vou ficar bom», colado ao banco, espiralando pela estrada.
Agora, parece-me repugnante a ideia de Deus. Por muito que as minhas pernas e os meus braços mexam. Fuzilem-me.
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Luz
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12:02 p.m.
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segunda-feira, novembro 07, 2005
quarta-feira, setembro 28, 2005
Vasco
Ando há muito tempo a tentar dizer-to e a procurar maneiras bonitas, suaves, doces e simples. Ando à procura delas mas faltam-me as palavras, encontro-as e acho-as imperfeitas, passo-lhes o pano e não reluzem, sempre opacas pelo pó.
Tento dizer-to todos os dias, filho, todos os dias em que te vejo chegar da escola com a altura pequena mas promissora dos teus dez anos (estás quase da minha altura, também não sou muito grande), a mochila às costas e o bolso cheio de cartas, quando depois da escancarada porta te atiras nos meus braços berrando que hoje marcaste três (três!) ao frango do Ricardo, não defende nada, também!
Ando a tentar dizer-to quando à noite te deitas na tua cama de criança, o edredão dos barcos, os automóveis de brincar em corridas imóveis pelo chão do quarto, estendes os braços e me dás o beijo do antes de dormir, adormeces do mundo dos grandes e entras no sonho do mundo dos pequenos.
E era sobre isso mesmo, filho, que te queria falar. Gosto de ti e tenho medo. Medo que cresças e medo que fiques sempre pequeno, medo que engulas o mundo ou que sejas engolido por ele, e tem-me atormentado a ideia de te achar a mochila demasiado larga ou pesada, filho, para o tamanho das tuas costas.
Banda Sonora: Angel Standing By, Jewel
Acrescento(s): A propósito do meu irmão mais novo, que agora carrega uma média de cinco livros por dia na mochila nova. Ai, galinha! :)
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Luz
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12:06 p.m.
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sexta-feira, setembro 09, 2005
Da Falta de Água e Outros Afins
A propósito de chuva a cair em flocos pela janela, da falta de luz solar e quente, do ar deprimente da paisagem de Inverno, ocorreu-te, Beatriz, que a vida talvez não preste.
Por cima da vidinha pequena e triste, do rotineiro ciclo dos dias, por cima das estradas rebentado em trânsitos e de tudo o que as pessoas transitam, acentuou-se-te a percepção clara e amarga de que a vida não presta.
Do amargo dos dias, da rapidez dos afectos, da falta sufocante de espaço físico e da falta asfixiante de espaço num coração alheio onde caibas e te acomodes, chegou-te a certeza de querer morrer.
Ninguém sentiu a tua falta, Beatriz, ou ninguém morre sozinho?
Banda Sonora: «Laços», Toranja
Acrescento(s): É do Outono a chegar, deixa tudo a espumar-se em considerações ridículas e com um humor desgraçado. Fototerapia para Portugal inteiro, oh faz favor! :)
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Luz
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1:08 p.m.
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